Inalei profundamente o ar, senti notas cítricas de perfumes familiares. O paletó azul marinho de riscas pendurado na cadeira, algo branco caia da torneira, meio cristalino, meio impossível de descrever.
Mary, John, Louise e Ben sentavam-se à mesa. Mas... todos parados. Todos estranhamente parados.
Os cabelos castanhos de Mary estavam parados no ar em um movimento de que estava sendo jogados para trás, as mãos perto dos ombros, ela não se mechia.
John estava com as mãos ocupadas, uma em uma torrada, e a outra passando manteiga com uma faca no alimento, o jornal com folhas sendo levantadas pela brisa insensível ao lado de seu antebraço. Ele também não se mechia.
Louise trocava de música em seu dispositivo de aúdio com a mão esquerda, a direita esticavasse para seu copo com suco de uva. Estranhamente imóvel.
Ben mordia um sanduíche imenso com três camadas. Nenhum movimento.
Olhei para pia, o que caía da torneira chamou a minha atenção. Aproximei-me lentamente, analisando.
Havia um pote sujo, e o que estava na torneira batia no pote e fazia milheres de gotículas, cristais pequenos, grudados no ar.
Passei a mão no que saía da torneira, era úmido. Aproximei a mão do rosto, cheirando. Não tinha cheiro.
Espere, isso é água?!
Desesperado olhei para janela, uma folha pairava no ar, paralisada.
Me prostei diante da janela e olhei para fora. Um bando de pássaros estavam com as asas arqueadas, paradas, no meio do ar.
Olhei para o relógio, parado. Olhei para o meu relógio, parado.
_Oque está acontecendo? Alguém por aqui? Alguém vivo?
O tempo estava paralisado. E eu solitário respirando.
23 de mai. de 2010
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