Tentei me libertar do que me aflingia, eu estava caindo, mais e mais, no abismo do nada. Eu estava sufocando e caindo, tentei gritar, mas minha voz havia sumido.
Tentei me lembrar como havia parado lá, onde eu havia estado, como entrara naquele escuro, mas nada me veio à cabeça além de uma queimação revital e desesperadora no peito. Pensei ouvir alguém me chamando, uma voz masculina, distante, e depois ficou tão real. Eram várias vozes de várias pessoas, já não era mais na minha cabeça. As vozes me chamaram, claras como se ditas frente a frente. Tentei responder, nada.
Gritei, ou tentei, já que a minha voz não saía. Eu estava me esquecendo do tempo, do espaço, de mim.
Um lampejo. Pessoa olhando inclinadas sobre mim, falavam meu nome, algumas das vozes estavam embargadas. Fui tomada pelo desespero.
Estou morta? Não! Não posso estar! Não fiz tudo que queria!
No lampejo descobri que tentavam me reanimar, estavam de branco. Médicos, era claro.
Ciente de que estava indo embora, fiz força para voltar. Transformei o máximo que consegui qde toda aquela calma em raiva, sabenmdo que, quando com raiva, temos mais inspiração para desafiar coisas e pessoas. Agora eu estava desafiando a morte. Desafiando-a à me largar.
A minha voz vai sair, eu vou voltar. Eu tenho que voltar!
Eu me sentia gritando, mas não havia voz, me encolhi, tentando puxar algum impulso. Me estiquei, mergulhando, minha voz saiu. Primeiro um ronronar, depois um grito distinto, vi todos à minha volta chocados com o fato de eu ter voltado.
Me lembrei do anjo que vi antes de começar a cair, com uma vestimenta leve e longa, ele me chamava.
Como eu havia me esquecido dele? Agora me lembro que contra a minha vontade, aceitei, sinalizando um sim erroneamente.
Me dei conta de que havia sentado quando os médicos me pressionaram levemente para eu voltar a me deitar. Eu estava na maca, no asfalto.
Senti gotas quentes caírem em mim, minha melhor amiga chorava.
Quando olhei aonde as lágrimas haviam caído ví algo vermelho escuro. Eu estava sangrando muito.
Havia gente parada nas calçadas, olhando.
Os paramédicos me colocaram na ambulância, Jenny entrou também, enxugando os olhos, a mão enfaixada. Ela me viu olhando;
_Ah, me cortei, mas já tá tudo bem. Ela sorriu gentilmente.
Pisquei, sem disposição para dizer algo. Eu estava grata por ela estar comigo naquele momento.
Eu só queria ver meus amigos, minha família, as pessoas que eu amava, e alertar-lhes sobre oque os esperava.
24 de mai. de 2010
23 de mai. de 2010
Esse foi feito pela minha mãe. :}
A vida.
A vida é só uma
Ela tem que ser vivida,
Mas viver a vida é ser alegre,
É fazer amigos,
É espalhar felicidade.
Quero viver a vida,
Quero ser alegre,
Quero ser feliz,
Não prisioneira.
Porque tenho casa,
porque tenho comida,
mas meus sonhos estão passando,
assim como a minha vida,
que não está sendo vivida.
Ivone de Carvalho.
A vida é só uma
Ela tem que ser vivida,
Mas viver a vida é ser alegre,
É fazer amigos,
É espalhar felicidade.
Quero viver a vida,
Quero ser alegre,
Quero ser feliz,
Não prisioneira.
Porque tenho casa,
porque tenho comida,
mas meus sonhos estão passando,
assim como a minha vida,
que não está sendo vivida.
Ivone de Carvalho.
Paralisado.
Inalei profundamente o ar, senti notas cítricas de perfumes familiares. O paletó azul marinho de riscas pendurado na cadeira, algo branco caia da torneira, meio cristalino, meio impossível de descrever.
Mary, John, Louise e Ben sentavam-se à mesa. Mas... todos parados. Todos estranhamente parados.
Os cabelos castanhos de Mary estavam parados no ar em um movimento de que estava sendo jogados para trás, as mãos perto dos ombros, ela não se mechia.
John estava com as mãos ocupadas, uma em uma torrada, e a outra passando manteiga com uma faca no alimento, o jornal com folhas sendo levantadas pela brisa insensível ao lado de seu antebraço. Ele também não se mechia.
Louise trocava de música em seu dispositivo de aúdio com a mão esquerda, a direita esticavasse para seu copo com suco de uva. Estranhamente imóvel.
Ben mordia um sanduíche imenso com três camadas. Nenhum movimento.
Olhei para pia, o que caía da torneira chamou a minha atenção. Aproximei-me lentamente, analisando.
Havia um pote sujo, e o que estava na torneira batia no pote e fazia milheres de gotículas, cristais pequenos, grudados no ar.
Passei a mão no que saía da torneira, era úmido. Aproximei a mão do rosto, cheirando. Não tinha cheiro.
Espere, isso é água?!
Desesperado olhei para janela, uma folha pairava no ar, paralisada.
Me prostei diante da janela e olhei para fora. Um bando de pássaros estavam com as asas arqueadas, paradas, no meio do ar.
Olhei para o relógio, parado. Olhei para o meu relógio, parado.
_Oque está acontecendo? Alguém por aqui? Alguém vivo?
O tempo estava paralisado. E eu solitário respirando.
Mary, John, Louise e Ben sentavam-se à mesa. Mas... todos parados. Todos estranhamente parados.
Os cabelos castanhos de Mary estavam parados no ar em um movimento de que estava sendo jogados para trás, as mãos perto dos ombros, ela não se mechia.
John estava com as mãos ocupadas, uma em uma torrada, e a outra passando manteiga com uma faca no alimento, o jornal com folhas sendo levantadas pela brisa insensível ao lado de seu antebraço. Ele também não se mechia.
Louise trocava de música em seu dispositivo de aúdio com a mão esquerda, a direita esticavasse para seu copo com suco de uva. Estranhamente imóvel.
Ben mordia um sanduíche imenso com três camadas. Nenhum movimento.
Olhei para pia, o que caía da torneira chamou a minha atenção. Aproximei-me lentamente, analisando.
Havia um pote sujo, e o que estava na torneira batia no pote e fazia milheres de gotículas, cristais pequenos, grudados no ar.
Passei a mão no que saía da torneira, era úmido. Aproximei a mão do rosto, cheirando. Não tinha cheiro.
Espere, isso é água?!
Desesperado olhei para janela, uma folha pairava no ar, paralisada.
Me prostei diante da janela e olhei para fora. Um bando de pássaros estavam com as asas arqueadas, paradas, no meio do ar.
Olhei para o relógio, parado. Olhei para o meu relógio, parado.
_Oque está acontecendo? Alguém por aqui? Alguém vivo?
O tempo estava paralisado. E eu solitário respirando.
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